Informação Extra Curricular

O Novo Ambientalismo

Por Fernando Reinach - Publicado no Estadão

A revolução no movimento ambientalista começou com uma explosão. Em 18 de maio de 1980, o Mount St. Helens, um vulcão adormecido no meio de uma das florestas mais antigas dos Estados Unidos, explodiu. Mais de 600 quilômetros quadrados de floresta desapareceram. A área ficou coberta por 30 centímetros de cinzas. Nos últimos 17 anos, ecologistas estão acompanhando a colonização dessa área por plantas e animais, e o que descobriram pode mudar nossa maneira de cuidar das florestas.

Durante centenas de milhões de anos, ninguém cuidou das florestas. Aliás, nem existíamos. As florestas eram cobertas por glaciais e desapareciam, depois reapareciam. O mar subiu, submergiram, o mar baixou reapareceram, foram queimadas, regeneraram. De um jeito ou de outro, elas se mantiveram exuberantes. Então, nos últimos milênios, nossa espécie se espalhou pelo planeta. Nos últimos 300 anos, coletando lenha para nossas fogueiras, e abrindo áreas para a agricultura, reduzimos de tal maneira as florestas que ficou aparente que se nada fosse feito elas acabariam. Foi assim que por volta da metade do século XX surgiu o movimento ambientalista com o objetivo de preservar o meio ambiente e, claro, as florestas.

Um pouco devido à sua origem fora da comunidade científica, um pouco por culpa dos cientistas que no inicio não se envolveram, em vez de defender a ideia de deixar as florestas em paz, o movimento passou a defender sua imutabilidade. Esse modo de pensar se cristalizou por volta de 1990 com normas estritas de manejo das florestas, tanto nos EUA quanto no Brasil. Nos EUA, a radicalização foi total. A retirada de madeira, mesmo planejada, foi proibida e até os incêndios naturais foram banidos, com brigadas de incêndio e sistemas de monitoramento. De certa maneira, essa forma de pensar tentava tornar estático um ambiente normalmente dinâmico, onde as mudanças, apesar de lentas (muito mais lentas que a destruição predadora do homem) acontecem constantemente. Novamente, a arrogância do Homo sapiens, tentando controlar a natureza.

Os problemas começaram. A contenção de queimadas naturais fez com que a camada de folhas mortas aumentasse, e quando as queimadas aconteciam eram incontroláveis. Esses incêndios florestais passaram a matar árvores que normalmente sobrevivem às queimadas frequentes e fracas, que ocorrem quando a quantidade de matéria morta no solo é menor. Queimadas fazem parte da vida de uma floresta saudável. Outros resultados dessa natureza mostraram que a boa intenção humana ainda é menos sábia que a autorregulação dos ecossistemas.

Mas a grande surpresa foram os 18 anos de regeneração observados ao redor do Mount St. Helens. Sementes soterradas germinaram e perfuraram a camada de cinzas. Uma vegetação rica e diversa atraiu novas espécies de insetos e mamíferos. As árvores começaram a voltar. O que impressionou os ecologistas é que a biodiversidade dessa floresta jovem é muito maior que a encontrada nas florestas com mais de 180 anos na vizinhança. Aos poucos, os ecologistas estão concluindo que esse novo estado da floresta, um verdadeiro rejuvenescimento, é indispensável para a manutenção de uma floresta diversa, rica e sadia. Fogos, erupções vulcânicas, alagamentos e morte parecem não somente fazer parte da vida da floresta, mas são necessários para sua saúde. Tentar manter intocado e imutável um ecossistema é o mesmo que sufocar sua vitalidade. Conservar não pode ser mais sinônimo de imutabilidade.

A verdade é que a presença da nossa espécie na Terra é curta quando comparada com a idade desse ecossistema chamado floresta, e a vida de cada um de nós é um nada nesses centenas de milhões de anos. Nós sabemos dizimar a floresta, e precisamos ter cuidado, mas também devemos lembrar que as florestas viram os dinossauros aparecer e sumir. E estão aí. Manejar uma floresta é uma atividade tão pretensiosa que só pode ser ideia dessa espécie arrogante à qual pertencemos. Se conseguirmos exterminar a floresta desapareceremos junto. Milênios depois as florestas estarão de volta enquanto nós estaremos conversando no céu com dinossauros.

Você é mais feliz no Instagram, e sabe disso

Por Aloma Rodriguez - Escritora

"As redes sociais permitem aos usuários mostrar uma imagem melhorada de si mesmos e uma vida cheia de 'momentos especiais"

As fotografias, como escreveu Susan Sontag, se tornaram "um dos principais meios" para dar "uma aparência de participação".

Em algum momento de 2010 quase todo mundo começou a andar com um smartphone. Foi o início de uma era em que praticamente qualquer qualquer pessoa podia ser encontrada e interrompida a qualquer hora em qualquer lugar. Primeiro chegou o Facebook, com 2 bilhões de usuários ativos. Depois, o Twitter, com 328 milhões. No início, ninguém sabia muito bem para que servia, só que havia um limite de 140 caracteres - na semana passada anunciaram que será duplicado. No Instagram, que tem 1,2 bilhão de usuários, compartilhavam-se fotos e agora também é possível postar vídeos. Existem redes sociais para tudo. E quase todas são compatíveis porque vão se especializando. O Tuenti era para adolescentes, o MySpace para conhecer pessoas. Mas há muitas outras: Vine, Snapchat, Flickr, Tumblr, Pinterest, Strava e Tinder. Nenhum dos usuários dessas redes se importa muito com o ditado que funciona na Internet: se o produto é grátis, é porque você é o produto.

Com a popularização do smartphone, a possibilidade de atualizar a qualquer momento se transformou em necessidade. De um modo bastante imprevisível, a resposta generalizada foi a exposição total: os aplicativos permitiam entrar na vida dos outros, mas também compartilhar a sua. Em Hooked - How to Build Habbit-Forming Products (Penguin, 2014), o professor Nir Eyal explica que os aplicativos de sucesso criam uma "rotina persistente", um loop comportamental. Desencadeiam uma necessidade que elas mesmas satisfazem. Para Eyal, o fator desencadeante no Facebook é o medo de perder algo. No Instagram, o medo de deixar escapar um "momento especial". A exposição da vida íntima em forma de pensamentos, comidas dispostas com esmero, o último livro que te emocionou, os primeiros passos de um bebê e, claro, vídeos de seu gato se tornou norma. As curtidas provocam uma descarga de dopamina no cérebro, mas também, diz Eyal, certa ansiedade à espera de mais.

Em Exposed - Desire and Disobedience in the Digital Age (Harvard University Press, 2015), o professor e ensaísta Bernard E. Harcourt diz que vivemos no que ele chama de sociedade exposta: através dos tuítes e das fotos do Instagram todos podem espiar os outros e, o que é mais surpreendente, com poucas exceções, todo mundo quer ser espiado. Como resume Mendelson, com a exposição total trazida pelas redes, "um novo tipo de fama, sentida como invejável e aterrorizante, chega àqueles cujo único talento é a auto exposição insistente".

Ao nos expormos em tuítes, fotos ou status estamos construindo um relato menos espontâneo do que se pretende da nossa vida. O Instagram é a ferramenta mais eficaz. É a que oferece maior sensação de realidade e, ao mesmo tempo, a que melhor admite o retoque. É sentido como realidade porque "fotografias funcionam como provas. Algo que sabemos de ouvido, mas se duvidamos, parece comprovado quando nos mostram uma fotografia", como escreveu Susan Sontag em Sobre Fotografia. É revelador que uma das hashtagsmais valorizadas do aplicativo seja "sem filtro". Embora o ensaio de Sontag seja muito anterior à aparição e popularização do Instagram, algumas coisas que ela diz no texto servem para entender o fenômeno. Ela escreve também: "A fotografia se tornou um dos principais meios de experimentar algo, de dar uma aparência de participação. [...] possuir uma câmera transformou a pessoa em algo ativo, um voyeur". Agora todo mundo anda com uma câmera. Mas o desejo de ver é quase tão grande como o desejo de ser visto, admirado, observado e invejado.

A exposição da vida íntima dá uma nova dimensão a um tema já conhecido: a vaidade, a aparência e o vazio existencial

Quanto há de construção naquelas fotos de bebedeiras em que ninguém sai com o rímel borrado? Quanto pesa a autoconsciência? É disso que fala, em parte, o segundo romance de Antonio J. Rodríguez, Vidas Perfectas(Literatura Random House, 2017). Um casal aparentemente feliz e invejável nas redes sociais, é assassinado durante uma viagem ao Japão. A filha adolescente, que encontrou os corpos, e um amigo do casal tentam entender o que aconteceu. No caminho, vão descobrindo as fissuras pelas quais penetra a infelicidade que ofusca a imagem idílica que o casal projeta nas redes: "Ver fotos de Vera e Gael é uma alegria e uma tristeza. É uma alegria porque você entende que o amor realmente existe e uma tristeza porque os dois têm um ponto bastante odioso, repugnante". Para completar, o amigo mantém uma relação virtual com uma celebridade das redes sociais japonesas que se esconde por trás de um pseudônimo.

A exposição da vida íntima que esses aplicativos permitem dá uma nova dimensão a um tema já conhecido e quase tão antigo como o mundo: a vaidade, a aparência e o vazio existencial. O narcisismo costuma esconder a insegurança. Em outras palavras, diz-me do que te gabas e te direi o que te falta. O romance de Rodríguez é interessante também porque o próprio autor faz parte dessa geração que abraçou as redes sociais e as integrou com uma naturalidade espantosa a sua vida cotidiana.

Nossas redes sociais desenham um retrato melhorado de nós mesmos e para quem as usa -especialmente os adolescentes - são um elemento de construção da identidade tão importante como a música, a roupa e os livros. Apesar do imediatismo e da espontaneidade pretendida, as vidas que se contam são mais um desejo de como gostaríamos de ser vistos do que o retrato nu de nosso dia a dia. São como o espelho mágico de Branca de Neve, mas adulterado para que sempre nos diga que somos os mais felizes, ou pelo menos os que mais parecemos felizes.

O Facebook se transformou em uma ferramenta de divulgação de notícias falsas e boatos. O Twitter se revelou um instrumento útil para os linchamentos, a demagogia e o uso do cinismo como substituto do pensamento elaborado. E o Instagram não é mais um aplicativo em que se mostram imagens mais ou menos inspiradoras, mas um espaço onde se colecionam experiências. Agora a prova de que você esteve em um show não é o ingresso, mas o vídeo ou a foto no Instagram. Registrar o momento é tão importante como estar ali. Segundo um estudo coordenado por Kristin Diehl, professora da Marshall School of Business, ao contrário do que se diz, tirar fotos aumenta o prazer do que se está experimentando. O que é preciso saber agora é se mostrá-las como momentos especiais torna esses momentos especiais de fato.

Aloma Rodríguez é autora de Los idiotas prefieren la montaña (Xordica), sem tradução em português.

Cuidado ao entrar em cena!

Por Paulo Aquino - Consultor da PCAMKT Consulting 

Atualmente o Facebook é um grande palco onde entram em cena múltiplas exibições pessoais e o Twitter um cenário que se divide entre postagens opinativas e júri popular.

As pessoas exercem, com cada vez mais força, seu direito de expor o que pensam, e promovem discussões em tempo real sobre ideias que nem sempre surgem de uma análise mais completa ou, pelo menos, de uma simples checagem no "oráculo" Google.

Vemos o tempo todo jovens publicando nas redes sociais as mais variadas informações que são compartilhadas na internet, porém é necessário lembrar que, além do jovem usuário por trás do perfil, está um futuro profissional e formador de opinião que, na maioria das vezes, tem seguidores que estão de olho em suas informações, prontos para compartilhar, opinar e, claro, tornar qualquer vacilada mais pública do que ela já é.

Notamos que, além das habituais postagens de notícias compartilhadas, o que mais se destaca nas redes sociais são as publicações por emoção.

A maioria de nós certamente já usou o Twitter ou o Facebook em algum momento de desabafo, com postagens muitas vezes desnecessárias, descontando no teclado aquilo que não poderíamos ou não deveríamos expressar pessoalmente - ou até poderíamos, mas publicamos na internet simplesmente pelo hábito/vício de compartilhar.

Um exemplo significativo dessa prática é o caso da jornalista Micheline Borges que usou o seu perfil no Facebook para criticar a aparência das médicas cubanas contratadas para trabalhar no Brasil, no programa "Mais Médicos".

Micheline escreveu que as cubanas têm "aparência de empregada doméstica" e sua postagem foi alvejada por dezenas de comentários, até que ela acabou deletando seu perfil no Facebook e sua conta no Twitter.

A jornalista chegou a se desculpar depois, mas está sofrendo um processo por danos morais pelo Sindicato das Empregadas Domésticas de São Paulo, e certamente será lembrada por esse fato nas próximas entrevistas de emprego.

Por isso, antes de publicar qualquer conteúdo nas redes sociais, pense em você uma pessoa pública, mesmo que você seja apenas uma pessoa desconhecida do grande público.

Avalie bem antes de digitar, como sua publicação será recebida pelas outras pessoas, se ela será ofensiva a alguém e, principalmente, se é realmente necessário comentar ou expor tal fato, pois, atualmente, além de ser um canal para o contato entre amigos, a rede social tornou-se fonte de informação para futuros empregadores.

Como mínimo, a contribuição que devemos publicar de ter um conteúdo de qualidade que acrescente algo ao momento da pessoa que irá ler ou para quem estiver pensando em nos contratar para um emprego.

Hoje publicações na internet fazem parte do currículo de quem publica e ficam registradas para sempre, podendo ser consultadas a qualquer tempo como fonte de referência sobre você. Pense nisso!

Youtuber. Ser ou não ser?

Por Paulo Aquino - Consultor da PCAMKT Consulting

Já faz algum tempo que vem me intrigando essa nova "profissão" que muitas pessoas estão aderindo que é a de youtuber, ou seja, de provedor regular de conteúdo de vídeos que são exibidos no Youtube.

Esses programas atualmente ganharam o status de superproduções e alguns canais chegam a ter milhões de seguidores, nessa plataforma que foi lançada em fevereiro de 2005.

O apelo é muito forte e a tentação é grande pois para início basta ter uma câmera e um computador com acesso à internet. O assunto exposto em vídeo pode ter infinitas variáveis e ir desde como pintar suas unhas até como desenvolver combustível para foguetes, sendo que o mais comum são as paródias de stand up, músicas ou lições sobre "como fazer..." Até aí tudo bem. Tem muita gente ganhando dinheiro com essa atividade, o que é ótimo.

O que me intriga é alguém pensar seriamente que isso possa ser ou substituir uma profissão do mundo real, pois hoje o Youtube ainda está na moda, mas por quanto tempo ele ainda estará ou será a mídia preferida por todos?

Entendo que nesse país uma das poucas oportunidades que as pessoas têm é a de serem empreendedoras pois o emprego formal está em baixa, porém abrir mão de uma carreira para se dedicar exclusivamente a isso me parece um risco enorme, ainda que nós saibamos que muitos dos atuais sucessos da rede não tinham carreira nenhuma antes da celebridade e provavelmente não terão depois da fama.

Meu comentário visa só partilhar com vocês, que estão iniciando sua carreira profissional, uma preocupação e reforçar a ideia de que deve ser feita uma avaliação isenta de paixão antes de se dedicar exclusivamente a esse tema e abandonar uma carreira real, com possibilidades reais, ainda que não tão tentadoras.

Produto criado para a Feira de Ideias SODIPROM
Produto criado para a Feira de Ideias SODIPROM

Ah, o mercado pet!

Por Paulo Aquino - Consultor da PCAMKT Consulting

A indústria pet brasileira foi responsável por um faturamento de mais de R$ 18 bilhões em 2015, crescimento de 7,6% sobre 2014 e terceiro lugar absoluto no mercado mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e Reino Unido. As exportações acompanharam esse crescimento, e movimentaram US$ FOB 351,4 milhões em 2015, contra cerca de US$ FOB 6 milhões de importações.

O Brasil é o quarto país no ranking de população de animais de estimação no mundo, com 132,4 milhões de pets. Esse contingente movimenta um setor que, em 2015, chegou a ocupar 0,37% do PIB nacional, número superior àqueles dos componentes elétricos e eletrônicos e automação industrial. As vendas de Pet Food continuam sendo a maior fonte de receita, ocupando 67,3% do faturamento do ano passado, seguidas por Pet Serv, com 17%. Pet Care representou 8% e Pet Vet, 7,7%.

Dessa forma, como já citamos, o Brasil é atualmente o terceiro maior mercado do mundo em faturamento no setor pet, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Reino Unido, segundo dados da Abinpet e o tamanho desse negócio pode ser justificado pelo atual modelo familiar brasileiro, que pede um animal de estimação. Um casal de jovens ou um de idosos, sem filhos, quer um pet para companhia; um casal com crianças pequenas pede um pet para brincar com as crianças; enquanto adultos solteiros também querem um parceiro e por isso o pet se torna uma boa saída,

Hoje o animal é visto como um membro da família e tudo aquilo que a família provê para si proporciona também para o bichinho de estimação. O tratamento é igual. Tanto que muitas linhas de produtos criados atualmente têm o mesmo apelo que para humanos, no intuito de convencer os proprietários que eles têm a possibilidade de dar produtos similares aos que eles consomem para seus animais, dentro da mesma proposta,

Globalmente, o setor movimenta US$ 102,2 bilhões e você pode fazer parte desse mercado. Ao mesmo tempo em que novos produtos são criados para conquistar compradores atendendo a requisitos e a padrões de qualidade, os lançamentos aquecem a indústria nacional. Várias empresas estão buscando inovações para desenvolver soluções mais inteligentes para seus clientes. Um quadro otimista que nos incentiva cada vez mais a buscarmos novos desafios.

Indústria 4.0 exigirá um novo profissional 

Por Paulo Aquino - Consultor da PCAMKT Consulting

Esqueça a imagem que você tem de uma fábrica tradicional. No futuro, as linhas de produção barulhentas e confusas serão substituídas por um cenário peculiar. A chamada indústria 4.0 será cada vez mais automatizada e controlada por robôs. 

Máquinas dotadas de sensores conseguirão comunicar-se entre si - e tornar o processo produtivo cada vez mais eficiente. Com o avanço dos sistemas de big data e da chamada internet das coisas, o controle da produção poderá ser feito remotamente. "É uma questão de tempo para que indústrias de todo tipo se adaptem a esse novo conceito", diz Osvaldo Lahoz Maia, gerente de inovação e tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de São Paulo. 

O conceito de indústria 4.0 ganhou força na Alemanha, onde um projeto que envolve empresas, universidades e o governo foi lançado para modernizar a já desenvolvida indústria local. Em poucos anos, esse conceito deve se espalhar por outros países. Como consequência, o perfil da mão de obra deve mudar totalmente. "Quem quiser trabalhar nas fábricas do futuro terá de desenvolver habilidades técnicas e interpessoais bem específicas", diz Cezar Taurion, da consultoria Litteris Consulting, especializada em tecnologia da informação e transformação digital. Eis quatro características que os profissionais técnicos precisarão desenvolver:

1. Formação multidisciplinar - Para trabalhar numa indústria 4.0, os profissionais terão de desenvolver um perfil multidisciplinar. "As indústrias continuarão precisando de gente com formação específica, mas eles terão de lidar cada vez mais com áreas sobre as quais não estudaram na faculdade", diz o consultor Cezar Taurion.Essa competência será cada vez mais valorizada porque, com processos mais eficientes, os funcionários poderão pensar em novas formas de gerar riqueza. Um arquiteto que antes só cuidava de projetos para novas plantas poderá, por exemplo, pensar em adaptações no design dos produtos que diminuam o tempo de fabricação. "Isso depende de uma boa dose de iniciativa e conhecimentos, além do que a profissão exigia no passado", diz Osvaldo Maia. 

2. Capacidade de adaptação - Na indústria 4.0, o conceito de automação será elevado a outro patamar. Se antes os equipamentos só eram programados para obedecer a ordens enviadas por um software, a partir de agora eles também emitirão informações sobre seu próprio ciclo de vida. Isso significa que, antes mesmo de apresentar um problema de funcionamento, uma máquina emitirá sinais de que precisa passar por uma manutenção preventiva.Na prática, os operadores precisarão se adaptar a um novo jeito de lidar com os equipamentos. Boa parte do comando será dada a partir de sistemas mobile. "Está chegando ao fim a era do técnico que só aperta botões", diz Maia. "Os profissionais precisarão aprender a lidar com máquinas e robôs inteligentes." 

3. Senso de urgência - A disseminação dos sistemas de big data vai permitir que os funcionários tenham cada vez mais acesso a informações que antes eram restritas aos sistemas internos das empresas. De casa, por meio de um celular ou de um tablet, os empregados poderão interferir num processo que acontece a quilômetros de distância, dentro da fábrica. "A ideia atual de turnos de trabalho passará por uma transformação", diz Taurion. Isso trará vantagens notáveis, mas também exigirá dos profissionais discernimento para entender os limites entre o que é urgente e o que pode ser resolvido depois. "A facilidade que a tecnologia proporciona deve alterar a rotina do trabalho", diz Taurion. "Os profissionais da indústria do futuro terão de aprender a equilibrar essa dinâmica."

4. Bom relacionamento - Embora a tecnologia esteja transformando a maneira como as coisas são fabricadas, algumas regras para se manter um profissional relevante não mudam tanto assim. Ter um bom relacionamento com os colegas de trabalho continuará sendo importante - ainda mais em um ambiente em que o avanço da automação exigirá competências diferentes de cada um. Entre os especialistas é forte a ideia de que, num ambiente cada vez mais digitalizado, a colaboração ganhará força. "O avanço da tecnologia afetará todo mundo, do chão de fábrica ao alto escalão", diz Maia. "Quem conseguir passar por esse processo de mudanças sem grandes traumas demonstrará inteligência emocional para subir na carreira."

Fonte: Exame.com

VELHICE INDEPENDENTE. O novo compartamento dos idosos se traduz numa grande oportunidade!

Por Paulo Aquino - Consultor da PCAMKT Consulting

Como sempre afirmo em minhas palestras isso já é um fato: O Brasil está envelhecendo e cuidadores de idosos será uma profissão de futuro.

"Durante muitos anos, o Brasil foi o país do futuro, do "criança esperança". Hoje ele é um país do presente , mesmo que ainda vivendo o chamado "bônus demográfico" - anos em que a população jovem é maior que a população de idosos.

A partir dos 2030 seremos um país de idosos, e aí mergulharemos de cabeça no chamado "ônus demográfico".

A população de idosos cresce em números absolutos e de forma acelerada porque, graças aos avanços da medicina e à melhoria na qualidade de vida, as pessoas estão morrendo mais velhas. Devido a esses fatores, o número de idosos - pessoas acima de 60 anos - saltou dos 11,4 milhões de 1992 para 24,8 milhões em 2012 - um crescimento de 117% em 20 anos.

Esses fatos são interessantes, porém os dados que gostaria de dividir com vocês vem da última PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE - pois nela foi demonstrada uma radical mudança de comportamento na população de idosos.

A cada dia que passa, cresce o número dos que decidem morar sozinhos. Assim, e no mesmo período, os "sozinhos" triplicaram. Foram de 1,1 milhão em 1992 para 3,7 milhões em 2012.

Dentre os que moram sozinhos continuam prevalecendo as mulheres - até porque e na média vivem 7 anos a mais que os homens. Dos 3,7 milhões de "sozinhos" 65% são de mulheres e 34,9% de homens. Mas, em 1992, a proporção era maior: 68,6% mulheres e 31,4% homens.

Talvez dentre as mudanças, a maior de todas seja a forma como esses "velhos solitários" se comportam, e como a sociedade releu completamente o sentimento que tinha em relação a eles.

Segundo MARILIA BERZINS, presidente do Observatório da Longevidade, em entrevista para a FOLHA: "O que antes era tido como sinal de abandono, agora é visto como independência, autonomia". E na medida em que mudaram o comportamento ao optarem pela vida só e independente, sinalizaram ótimas oportunidades para novos negócios.

Desde edifícios especiais, mais adequados às restrições naturais de idade, até a adesão completa ao chamado DRESSTECH - utilização de roupas e equipamentos com tecnologia embarcada. E que medem quase tudo em tempo real, e ainda tem a capacidade de alertar e chamar socorro, sempre que necessário.

Além das empresas especializadas que fornecem os equipamentos e prestam socorro mediante qualquer sinal ou alteração, as prefeituras de muitas cidades prometem para os próximos anos programas especiais para os solitários, e em São Paulo e Rio de Janeiro os "anjos da guarda" dos que optaram pela independência são cuidadores de idosos, porteiros, zeladores e funcionários dos prédios. Treinados pelas administradoras para prestarem os primeiros socorros e, desde que necessário, requisitarem outros recursos.

Portanto, encaremos essa realidade como uma verdadeira oportunidade de mercado para novas profissões que serão desenvolvidas a fim de atender a essas necessidades crescentes.